segunda-feira, 5 de abril de 2010

Rústica

Sobre mim...

... e apenas com o peso da leveza...


"Sonhei que era uma rosa
Feminil e delicada
Acordei viril,
Musculosa e inadequada

Sonhei que era uma voz
A propor belas falas
Não a rudez que tolhe
Em prosa que não calha

No andar
No pensar
No amar
Um eterno mal estar
Pra quê fui o amor inventar

Sou aquela que se entrosa
Com todos os meninos
Vigorosa e desprendida
Nas bandas da vida

Países não me explicam
Parentes não me abrigam
Poetas me perfuram
E palavras me penetram

No andar
No olhar
No tocar
Um eterno desejar
Pra quê fui o amor revirar

No feminino tímida
No masculino íntima
Sou de improviso lúbrica
De propósito rústica"


P.T.; D.V.

Constatação

Emancipação... essa era palavra...

Era assim que nomeava a causa...

Não sabia onde tinha ido parar o tudo que era tanto... pq ele já não transbordava...

Gostava de pensar que isso era mais uma das do tempo...

Estava satisfeita de ver que já não sorvia as coisas (e as pessoas) com sofreguidão... serenidade
Gostava de ver que sabia do que não precisava... e que sua urgência obedecia a uma fome mais tímida... mais fome, menos gula...

Preocupava-se um pouco com o que vinha depois... não com um possível retorno de cores que já conhecia, mas com o que seria agora... apesar e depois de...

E no meio disso td percebeu... estava feliz... levemente feliz.