A garrafa encostada no chão virou-se abruptamente. Deixou vazar o líguido levemente borbulhante e sem cor pelo chão. Ela não se moveu, apenas levantou a garrafa para evitar uma maior quantidade no chão. Mas optou por ver crescerem inúmeras bolhas de ar por dentro da poça que se formava.
Com um meio sorriso no rosto, pensou que esses pequenos espetáculos passam desapercebidos normalmente. Merecia apreciação.
Levantou, pegou o papel-toalha - sabia que não poderia usar pano, sentia que não era o caso - e começou a embebê-lo no líquido, quase triste por ter que retirá-lo do chão.
Enquanto limpava, lembrava do dia que vivia. Faltavam poucos dias para experimentar o ciclo fechar. Um ano... já se passara um ano. Retrospectiva sem nenhuma sombra de dor. Talvez, no máximo, tristeza pelos planos que fizera no início do ciclo, mas algumas coisas não nasceram para vingar.
Terminou a limpeza, acendeu um cigarro - outro ciclo que terminaria dali a uma semana.
Estivera esperando por um dia como esse há muito tempo. Envolta de paz, ainda que não sozinha - no outro quarto, outra pessoa deitara indefectível na rede.
O corpo exausto do esforço físico diário a que se obrigava.
A mente calma, mesmo que não vazia.
Só o ruido do ventilador e som calmo que Ela lhe apresentara meses atrás...
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