Ela ficou ali sentada, sentindo o chão frio e úmido...
Olhando desatentamente para os azulejos, caminhando o olhar pelas formas angulosas desenhadas neles.
Por todas as suas células passeavam um sentimento misto de tristeza, medo e derrota.
Por mais que achasse necessário, as lágrimas se recusaram a cair, se quer os olhos umideceram, o chão talvez já estivesse úmido o suficiente.
O barulho do vento sacudindo as portas antigas do box, o celular no colo ligado em alguma rádio trazendo músicas antigas.
O cachorro latia longe...
Abraçou lentamente as pernas, sentiu um quase aconchego com esse ato.
Cansou-se do mundo por alguns instantes.
Lembrou das últimas interações e sentiu-se suja, embora não houvesse razão para isso. Sentiu-se maculada por suas palavras e atos.
Aquela não era ela, há muito tempo havia se perdido de si mesma, e alí, vendo o rastro que a água fizera ao escorrer pela torneira, percebeu que passava da hora de resgatar sua antiga pessoa, porém não sabia como, não conseguia lembrar de quem fora, ou se essa antiga pessoa lhe agradava.
Concluiu que não acharia as respostas.
Levantou languidamente, como se arrastando pelos azuleijos atrás de si, e andou pelo banheiro, olhou-se no espelho e quase se reconheceu...
Retomou a posição original para trazer o sentimeto novamente, observou as unhas dos pés sem esmalte, contrastando com as unhas vermelhas nas mãos, os pés levemente inchados do dia de trabalho... a moldura dos óculos permitiam que se perdesse num mundo sem formas. A Miopia que lhe servia de companheira desde a infância era algo seu e isso ela não perdera, pelo menos isso permanecia igual.
Uma expressão vazia passeou por seu rosto, caiu lentamente nas sensações físicas, sentiu o cansaso de tantos momentos de luta consigo, contra a sociedade... desistiu de tudo, abriu mão, entregou-se ao ímpeto...
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...
ResponderExcluire ela conseguiu...
ela se abandonou...
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